quarta-feira, 7 de março de 2012

Instrospecção

(O texto é longo, aviso logo!)
Não ia escrever nada, mas me senti tão sufocada, que acabei correndo pra cá. Esse negócio faz tempo que é um diário eletrônico. Ainda bem que não leio o que escrevi antes, ou apagaria tudo que já fiz.

Bom, hoje foi um dia bem complicadinho... Há semanas vinha pensando em um assunto, e hoje decidir expô-lo com quem de direito. Eu já esperava uma reação ruim, ou a falta de reação, que sempre é pior, justamente por conhecer um pouco a pessoa que decepcionei hoje. Não decepcionei pra magoar, nem por ser covarde, mas por achar que não sou merecedora de tanto. 

Quando eu tinha 18 anos tive depressão, e passei dois anos sem entender a vontade que eu tinha de dormir o tempo todo, o desânimo de viver, desânimo de querer fazer alguma coisa da vida, e até de pensar em suicídio (nunca tentei suicídio porque sempre achei que fosse muito covarde deixar a vida sem lutar por ela). Nessa época todo mundo dizia que eu era muito preguiçosa. E até eu acreditei. Um certo dia, fazendo a coisa que eu mais gostava (vendo Tv, claro, já que era coisa de preguiçosa) assisti um programa que eu não lembro qual, em que falava dos sintomas de um depressivo. Me vi em casa um deles. Foi identificação imediata. Não sei como, não sei quanto tempo levou, mas saí da depressão sem medicamentos, sem psiquiatra/psicólogo. 

Aos 30 anos, meu mundo caiu quando o namoro com Schnuddelchen acabou. Os mais preocupados comigo tinham medo que eu entrasse em depressão, e até eu tinha medo, porque já sabia como era. Por outro lado, eu tinha uma certa ideia de que eu sentia, naquele momento, uma tristeza profunda. Mais uma vez, dois anos pra recomeçar a viver. Mas consegui superar. 

Aos quase 37 anos (não sou daquelas que escondem a idade) descobri (mais uma vez, por acaso e fuçando uma coisa que gosto muito.. A Internet) algo que acabou sendo como uma revelação pra mim. Por anos da minha vida achei que tivesse Complexo de Inferioridade. Desde a escola, fosse na sala de aula, fosse na quadra de Basquete, sempre me achei pior do que os outros. Menos inteligente, menos competente. Lembro até hoje das broncas que Joelson (ex-técnico) me dava e eu nunca parava pra pensar a razão pela qual ele nunca conseguia me motivar. Fiz parte do time mirim aos 12 anos, aos 13 jogava no juvenil, aos 14 jogava no infantil, no juvenil e no adulto no campeonato metropolitano e nas competições da escola. Aos 15 anos fui convocada para Seleção do RN. Nunca dei importância pra isso. Participei de duas semanas de treino. Desisti. Não achava que continuaria na equipe, que tinha gente melhor. Fui taxada de irresponsável, de quem não queria nada, literalmente, com o Basquete. Quando saiu a convocação pra valer, ouvi de Joelson a frase: "Você deveria estar entre as convocadas. Você, Lidiane, era figura certa na lista. Se você quisesse, se tivesse vontade mesmo, seria a melhor jogadora do Estado." Nunca esqueci disso... Não porque me sentisse importante, porque nunca busquei isso mesmo. Achava que tinha gente melhor. E assim foi minha vida inteira e em tudo. 

O que eu nunca consegui entender foi como é que uma pessoa com Complexo de Inferioridade poderia ser arrogante, como eu algumas vezes sou (reconhecendo). Como é que uma pessoa com Complexo de Inferioridade deixava tudo pra última hora porque sabia que daria conta. Aí, ontem, lendo algo que eu não lembro, entrei numa pagína de uma coisa que eu nem sabia que existia, e como a depressão, me identifiquei. Pode ser que eu esteja errada, mas acredito que é isso que tenho... Síndrome de Impostor.

Quem tem essa síndrome, que pode ser permanente, temporariamente ou frequentemente, não internaliza os feitos na própria vida. Não importa o sucesso que tenha, sempre se sente como uma fraude. As provas do sucesso são desmerecidas como sorte, como estando no lugar certo e na hora certa ou como tendo enganado as outras pessoas fazendo com que elas acreditem que o portador da síndrome é mais inteligente do que realmente é. A síndrome do impostor, onde pessoas competentes não acreditam que são competentes é vista com o oposto ao Efeito Dunning-Kruger, onde pessoas incompetentes não conseguem ver suas próprias incompetências (esse Efeito aí deve ser o que Micarla tem, só pode!). 

Acho que agora eu e Sara entendemos porque nunca consegui aceitar elogios de forma natural. E aqui ainda sem saber como me livrar dessa tal síndrome... Porque hoje decepcionei alguém que amo muito, justamente por achar que não dou mais conta do recado, e que tem gente que poderia formar um time imbatível com ela. Escrevi o que tinha que escrever em lágrimas, e ainda estou assim... Deixar de fazer o que se gosta, com quem gosta, do jeito que gosta, doi. Espero que um dia ela me entenda. 


* Listening: "A Little Too Much" - Natasha Bedingfiel

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